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Câmara aprova projeto que torna exame de trombofilia obrigatório pelo SUS

Todos sabem o quanto somos defensoras da disseminação da informação quanto à trombofilia. Uma condição silenciosa e que se não for tratada, pode levar a morte. Pois então, foi aprovado na Câmara de Vereadores da cidade de São Paulo, no último dia 7, em primeira discussão, o projeto de lei 320/2015, que torna obrigatório pelo SUS exame e tratamento de trombofilia em mulheres. A autoria é da vereadora Patrícia Bezerra (PSDB), que soube dos riscos desse problema por meio da experiência de uma amiga. “Ela tinha abortos recorrentes e então descobriu o problema. Eu nunca tinha ouvido falar. Quando fui atrás, me assustei com a incidência e gravidade da situação”, conta.

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Pelo projeto, o exame preventivo seria realizado obrigatoriamente pelo SUS em três momentos: antes da prescrição do primeiro anticoncepcional, no pré-natal e antes da primeira reposição hormonal. Nessas três fases, a probabilidade de a mulher ter trombose é maior. Segundo Mario Macoto, obstetra do Hospital e Maternidade Santa Joana (SP), as gestantes têm até seis vezes mais riscos de produzir trombos. “Existem vários exames para detectar trombofilia, pois ela pode ser hereditária ou adquirida. A solicitação deve ocorrer de acordo com o histórico da paciente e, em alguns casos, há necessidade inclusive de repetir o exame após determinado tempo. É fundamental uma avaliação antes e durante a gestação”, alerta.

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Segundo a vereadora autora do projeto, infelizmente essa não é uma prática comum entre os médicos e muitas mulheres sofrem com abortos sem descobrir o real motivo. “Nunca se pede esse exame, a não ser que a mulher tenha óbito fetal, muitos abortos ou deslocamento de placenta. Ou seja, só depois que alguma coisa ruim acontece, mas não para prevenir”, diz.

O projeto de lei de Patrícia Bezerra deverá passar por uma segunda votação na Câmara de Vereadores, para, então, ser sancionado. A vereadora afirma que tentará apresentar para segunda discussão ainda neste semestre.

Perigo silencioso
Um estudo do Hospital das Clínicas de São Paulo, realizado em 2015, analisou 150 mulheres que tiveram problemas na gestação, como aborto, morte do bebê ou pré-eclâmpsia. O resultado assusta: 60% tinham alguma forma de trombofilia. Por ser uma condição que não apresenta sintomas, torna-se ainda mais perigoso. É preciso ficar atenta a sinais de alerta como inchaço repentino e conversar com o médico caso haja histórico na família.

A trombofilia causa uma maior coagulação do sangue, o que pode ocasionar entupimento das veias, inclusive da placenta. Os grandes riscos na gravidez são aborto, restrição de crescimento do bebê, morte fetal e parto prematuro, além de riscos para a mãe, como embolia pulmonar e pré-eclâmpsia.

Originalmente publicado na Revista Crescer

Verônica Muccini

Verônica Muccini é jornalista, mas brinca que tem a alma de Relações Públicas, porém foi na maternidade que descobriu o seu maior desafio. Divide as suas angústias, conquistas e trapalhadas com o pequeno João Henrique aqui no Depois da Chegada.

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