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Chegou a hora de viajar a trabalho sem os filhos, e agora?

Escrevo este texto sentada na sala de embarque do aeroporto da minha cidade. Serão apenas três dias. O destino? mais uma cidade linda do interior deste Brasil varonil. O motivo? Meu trabalho que amo. Lembro ainda como se fosse ontem a primeira vez que por motivos profissionais tive que ficar longe do meu pequeno. A ideia era ficar três dias, eu e meu marido conseguimos ficar um dia e meio. Eu cumpri a minha tarefa, nos olhamos, e os dois juntos dissemos: “Vamos voltar?” E assim foi. O coração apertou demais, de saudade e de culpa, porque não dizer também.

João tinha na época apenas cinco meses. Ele dormia a noite toda, mamava a fórmula a noite. Não tinha cólicas, estava com a introdução alimentar organizada e ficaria com meus pais… e os dindos ajudariam. Plano perfeito, né? Não… para o coração de uma mãe com sentimento de culpa. Na volta foi maravilhoso pensar que estávamos voltando para ele. Um verdadeiro alívio, posso dizer.

Meu menino, meu amuleto do Atelier Andrea Pronotti, quando a saudade aperta, dou um aperto e um beijo neste menino. E me sinto perto.

A segunda vez que tive que ficar uns dias longe, ele tinha oito meses, foram cinco dias, e na ocasião eu não tinha como fugir. Não tinha como olhar para o meu marido e dizer, vamos voltar? Eu estava indo sozinha. Eu olhava a foto dele e chorava. Apertava o cordão com o menino, este da foto, que eu tenho dele e chorava. Não conseguia conter. As pessoas me perguntavam sobre ele e eu só conseguia dizer, está bem. Em casa. Tudo ótimo. Mais algumas palavras as lágrimas vinham junto, como companheiras. No final da noite quando chegava no quarto do hotel e ligava para saber como ele estava era difícil. Bem difícil.

Por conta do trabalho sempre preciso ir viajar. No mínimo uma vez por mês. Sempre foi assim, e por um bom tempo sempre será. Viajar é legal? É! E muito! Mas quando você tem um toquinho pequeno – e não importa a idade, por mais que eles cresçam eles sempre serão pequenos – em casa viajar, sozinha a trabalho, tem um significado diferente. Significa que você precisa dar o melhor de si, encontrar forças que você não sabe que tinha para não morrer de saudade, de culpa, de mil e um pensamentos que passam pela nossa cabeça.

Significa que somos capazes de ir além do amor que sentimos pelos nossos filhos e que estamos fazendo aqui por eles, e para eles. É também para si, claro que sim, mas com mil e um significados diferentes. Para mim um dos desafios mais difíceis foi de viajar a primeira vez e saber que meu filho iria ficar bem, saber que ele ficaria sem o meu amparo, sem o meu colo, sem o meu olhar – por um dia que fosse.

Dessa vez não veio a febre. Mas veio um criança que já está entendendo que a mamãe vai sair e voltar. E ainda rola um: “Tchau, mãe! Vou sair com a minha vó e meu Vô…” em seguida vem o abano, o beijo de tchau e o Eu te amo! Mas antes claro que enchi ele de beijo. Como explicar para o coração da mãe que isso faz parte do processo e que tudo vai, realmente, ficar bem? E que aquele menino faceiro e alegre vai continuar faceiro e alegre sem a mamãe? Ainda procuro esta resposta de forma racional. Mas o meu trabalho, como o trabalho de qualquer um dignifica, nos faz perceber os momentos de real significado e aqueles que valem.

Para mim trabalhar é algo que está conectado diretamente ao meu cérebro, não sirvo para ser dondoca, não estudo finais e finais de semana por nada. Estudo, trabalho, pesquiso, leio, porque amo. Faço cursos, me envolvo em debates e workshops. A próxima pós-graduação já está engatilhada. Mais alguns finais de semana sem estar em casa. Mas faço isso também pelo meu filho e meu marido.

Repense quando você pensa ahhh fulana(o) de tal foi viajar e deixou o filho em casa. Deixar o filho em casa e sair trabalhar todos os dias é um dos atos de amor mais lindos que um pai ou mãe pode demonstrar para o seu filho.

Pois desafia mais do que o coração, desafia a alma, a calma e a razão! E quanto maior as crianças vão ficando, mais desafiante é sair e ficar dias fora a trabalho, mas também nos deixa viva.

Agora com o João maior para acalmar o coração eu sempre ando com o meu cordão com o meu menino da Andrea Pronotti e uma foto bem linda nossa… no caso essa última que tiramos nas bodas de 35 anos do casamento dos meus pais. E por aí como é este sentimento?

Beijsos, com carinho!

Verô!

Verônica Muccini

Verônica Muccini é jornalista, mas brinca que tem a alma de Relações Públicas, porém foi na maternidade que descobriu o seu maior desafio. Divide as suas angústias, conquistas e trapalhadas com o pequeno João Henrique aqui no Depois da Chegada.

  • Marina

    Oi Ve. Nossa disse tudo. Esses dias comentei que uma mae que sai pra trabalhar nunca pode ser julgada. É motivo de orgulho e jamais de dor, sofrimento.
    Claro a dor aperta. Por aqui nunca precisei viajar sem eles, mas quando deixei o theo dormir fora a primeira vez com 2 anos pensei que ia ter um treco. Mas eu precisava disso, era nosso aniversario e como casal, ficar 2 anos sem uma idinha ao cinema é dificil ne?

    Anos foram passando e o Theo vez ou outra (de forma rara, pq ELE nao gosta de ficar longe) dorme nas avos. Sao periodos curtos e se a saudade machucar basta dirigir por 8 minutos.

    Mas a gente precisa. Tem que se renovar, tem que seguir. Tem que passar todas as etapas e as vezes doi. Hoje quando preciso levar uma encomenda sem eles, me pego olhando no banco de tras varias vezes. Acho que no fundo coração de mãe nunca vai “aceitar” a distancia. Seja do tamanho que for.

    25 de junho de 2017 at 03:08 Responder
  • Leila

    Me emocionei muito com seu post pois me coloquei no seu lugar. Se te serve de consolo eu que deixei meu trabalho para ficar com minha bebê não estou livre da culpa. Eu acho que qualquer decisão é difícil quando se tem filhos, né? Mas com certeza ele vai sentir muito orgulho de você. Um beijo!

    25 de junho de 2017 at 03:23 Responder
  • Kate Willians

    Aí que texto lindo e emocionante, qse chorei aqui. Ainda não sou mãe mas imagino o quanto deve ser difícil. Parabéns pelo blog!

    25 de junho de 2017 at 13:50 Responder
  • Beatriz Amorim

    Vê que texto mais lindo, dá pra sentir que foi escrito com muito sentimento. Eu penso muito nisso, de como vai ser quando tiver meus filhos, eu sou muito apegada, muito sentimental, não gosto de passar um dia sem meu marido rs. Hoje em dia tenho buscado trabalhar de casa, então penso que se tudo der certo, conseguirei ficar mais tempo perto dos meus futuros filhos. Parabéns pelo post, eu amei muito. beijoos

    26 de junho de 2017 at 03:07 Responder
  • Deborah Lima

    Ainda não sou mamãe, mas imagino a saudade e o aperto no coração… rs

    27 de junho de 2017 at 01:24 Responder
  • Rayssa mariz

    Oi vê, que texto emocionante. Mesmo pra mim que Ainda não sou mãe ê tocante e até gera uma certa ansiedade por saber que vou passar por isso. Mas sabe, a gnt educa eles pra serem melhores até que nós somos e pra viverem muito bem sem nos né ?! (Olha eu falando em nós como se fosse mãe kkkkk) você é com certeza uma mãe de se orgulhar, pensa sempre nisso!!!! Te admiro demais viu?! Beijos

    29 de junho de 2017 at 02:46 Responder

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