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Nenhuma família é uma ilha

É com essa música que começo o post: precisamos de uma aldeia toda para educar uma criança. Nenhuma família é uma ilha. É preciso preservar a teia. Escute essa música aqui embaixo e sinta a batida.

“It Takes a Village

It takes a whole village to raise our children
It takes a whole village to raise one child
We all everyone must share the burden
We all everyone will share the joy”

Acho que já assisti ao filme O Começo da Vida umas 10 vezes. E cada vez que vejo tenho um insight diferente. No filme a Estela Renner retrata as diferentes faces de maternar, e de se criar uma criança. E uma delas me chamou muito a atenção, ao tocar esta música de origem africana. É preciso uma comunidade toda para que uma criança possa crescer. Aquilo me afetou. As crianças não precisam de muita coisa, mas elas precisam de exemplos. As crianças não precisam de muita coisa, mas elas precisam de outras crianças. As crianças não precisam de muita coisa, mas elas precisam perceber que fazem parte de um contexto, social (não de classe, mas afetivo), elas precisam se sentir inseridas em uma teia de convivência e educação.

Nenhuma criança é uma ilha, em que ela, o pai e a mãe se bastam, desculpe quem acredite ou viva deste jeito. De acordo com este provérbio africano a responsabilidade de criar um filho é compartilhada com a família maior, ou seja, avós, avôs, tios, tias, madrinhas, padrinhos, enfim… exemplos. Me entristece ao ver crianças que são tratadas, ou melhor, não são inclusas em seu convívio com amigos, família. Em um mundo que cada vez mais o “eu” é exaltado e a corrida maluca por tudo é feroz, vejo muitos amigos saindo de grandes centros voltando para pequenas comunidades. Eu mesma fiz isso. Sai de São Paulo e voltei para o interior. Pois realmente acredito que é preciso uma aldeia, uma comunidade, uma família para educar uma criança. E eu e meu marido sozinhos que estávamos em Caxias do Sul teríamos uma grande dificuldade. Voltei para perto dos meus.

Li no livro “Criando Meninos: para pais e mães de verdade”, que os meninos, especificamente precisam de um líder fora de casa. O tios escoteiros, o patrão do CTG (aqui no Rio Grande do Sul), o professor do futebol, do basquete ou ainda de xadrez que ele leve como uma figura a ser respeitada e seguida. Posso dizer que o mesmo acontece com as meninas. Eu digo por mim. Tinha e tenho vários exemplos fortes a serem seguidos em casa, minha mãe, minha avó, minhas tias. Mas sempre tive outras mulheres e homens também como exemplo, me empoderando e fazendo com que eu sempre acreditasse em mim e nos meus projetos.

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Mas vamos voltar ao nossos filhos, e ilhas e teias. É preciso da convivência com suas origens, até para saber o que não querer ser, ou fazer. Definitivamente é preciso repensar esta ideia de muitas famílias de são uma ilha. Elas são uma teia. E amo fazer parte disso, acho que um pouco é por conta da minha criação meio italiana, meio espanhola, meio portuguesa, meio alemã. Tudo era com a família, e teias.

Beijos com carinho! Vê!

Verônica Muccini

Verônica Muccini é jornalista, mas brinca que tem a alma de Relações Públicas, porém foi na maternidade que descobriu o seu maior desafio. Divide as suas angústias, conquistas e trapalhadas com o pequeno João Henrique aqui no Depois da Chegada.

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