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O Começo da Vida, um filme que precisa ser visto

Estes tempos atrás tive que ir para São Paulo a trabalho e passeando pela Augusta me chamou a atenção um cartaz que estava no ‘Espaço de Cinema do Itaú’. Era o filme “O Começo da Vida”. Tempos depois entrei em contato com a diretora do documentário, Estela Renner, para saber aonde eu poderia assistir à ele, pois fui pesquisar sobre e me arrepiei, só com o trailer. A Estela, muito gentilmente me contou que existe um site em que eu poderia ter acesso, é o portal VideoCamp. Lá é possível organizar sessões e exibições dele, to até pensando em fazer uma aqui na região, o que acham da ideia?

Vejam o trailer:

Mas “para a nossa alegria” (leia cantando… rs!), o documentário pode ser visto no Netflix! É só procurar pelo nome, “O Começo da Vida”, pegar um lencinho e repensar todas as tuas atitudes como mãe, como pai, como avó, como avô, como tio, como tia, como madrinha, como padrinho. Como ser humano.

O documentário é um soco no estômago, bem sutil e leve. Mas um soco necessário, acreditem em mim. É aquele tapa na cara que a toda mãe, pai ou ainda, toda família com bebês PRECISA sentir, sem parecer, sabe? E explico o porquê. Atualmente vivemos em uma sociedade cheeeeeeeeeeeeeia de padrões, e na maternidade não é diferente. Existe padrão para tudo! Desde o momento em que se engravida até, e principalmente, na hora que nasce, e depois que nasce, MEU DEUS, não pára mais. O filme nos faz refletir sobre a importância da não padronização. Cada mãe, cada pai, cada criança é única e único. Ai que está, inclusive, a magia do negócio.

Ele fala sobre a importância de cada um dentro da congregação familiar: a mãe, o pai, a criança, os avós, o ambiente em que estes vivem. Como o afeto é a fita isolante das ligações entre os neurônios”, o vínculo é criado através do dia a dia, do cotidiano.

Outra coisa que me fez pensar, e muito, foi na frase que a médica brasileira, criadora da Fundação Saúde Criança, Vera Cordeiro diz, “esse mundo investe em satélite, em diversas áreas, para conhecer novos planetas e ir para Marte, para a Lua, para Urano… A gente não vai investir na condição humana, na humanidade que está nascendo? Como a gente pode pensar em um mundo de paz, de colaboração, de bem-aventurança onde o começo da vida não é levado em conta?”. Este para mim foi um soco no estômago.

Uma mãe americana comenta sobre a pressão na volta ao trabalho, e conta: “Quando é que você volta a trabalhar?É como se eu estivesse sem fazer nada este tempo todo. Você cuidar dos filhos, dedicar um tempo considerável da sua vida para cuidar dos seus filhos é considerado nada. Cuidar dos seus filhos significa que você está cuidando de pessoas que vão ser futuros cidadãos: o sujeito vai votar, o sujeito vai botar fogo no índio ou não vai botar fogo no índio… Você está formando a humanidade e isso é nada, absolutamente nada para a sociedade“, outro soco. Esta mãe americana contou, acho eu, um pouco do que toda mãe sente ao ter que voltar à licença maternidade depois de um determinado tempo. Não estou dizendo aqui que o trabalho não ajuda, inclusive, no estado emocional da mãe, que volta a ser um pouco mulher, não apenas mãe. Para mim, por exemplo, trabalhar é uma necessidade que vai além do financeiro. Enfim… este é assunto para um próximo post, bem logo inclusive.

Já a sentença do Dr. Jack Shonkoff, do Centro de Desenvolvimento da Criança da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, em que ele fala que não é possível ajudar as crianças sem ajudar os adultos que cuidam delas. Crianças não são ajudadas por programas, mas por pessoas. As consequências de não darmos às crianças o que elas precisam custam muito caro para a sociedade. Me fez repensar também, será que as pessoas realmente sabem a importância e estão preparadas para esta jornada?

O Dr. Charles A. Nelson III, Pediatra Harvard Medical School e Boston Children’s Hospital é bem enfático quando ele fala que “os primeiros anos são como construir a estrutura de uma casa. Você constrói a estrutura sobre a qual todo o resto se desenvolverá”.

O Começo da vida - depois da chegada - documentario

Quatro cantos do mundo

O contraste das culturas é uma constante no filme, uma vez que o mesmo foi rodado nos quatro cantos do mundo. Estela e a produtora do longa, a Maria Farinha Filmes, visitaram famílias de diferentes culturas, etnias e classes na Argentina, Brasil, Estados Unidos, Canadá, Índia, China, Itália, França e no Quênia, tudo para mostrar a importância da primeira infância, e que apesar destes contrastes, muitos assuntos são unânimes.

Para o portal Rede Brasil Atual a diretora declarou: “Apesar de ter estado em lugares geograficamente distantes, o que estávamos buscando é o que nos une. E o amor que temos pelos nossos filhos e o que sonhamos pra eles é um laço que nos costura enquanto humanidade. Ouvimos desejos idênticos de pais e mães com relação ao seus filhos, mesmo separados por continentes e classes sociais. Aliás, o que nos une é o que desejamos para nossos filhos; e o que nos separa, é a condição que o ambiente nos dá para proporcionar ou não isso para eles”.

O Começo da Vida é aqueles documentários que nos fazem repensar todas as vezes que perdemos a paciência com os nossos filhos, mesmo que cinco minutos depois, a gente tenha se arrependido e prometido para si mesma que faria diferente. Prometi para mim mesma, depois de ver o documentário, que tentarei, todos os dias, fazer diferente.

Vejam o filme, vale a pena o soco no estômago, o tapa de luva, o amor compartilhado, as lições aprendidas. Todos precisamos disso vez ou outra.

Beijão!

Verônica Muccini

Verônica Muccini é jornalista, mas brinca que tem a alma de Relações Públicas, porém foi na maternidade que descobriu o seu maior desafio. Divide as suas angústias, conquistas e trapalhadas com o pequeno João Henrique aqui no Depois da Chegada.

  • Amanda

    Aproveito pra indicar outro documentário, na mesma linha deste, que se chama “muito além do peso”. Não sei d tem
    No netflix, mas no YouTube se acha fácil. Todos os pais deveriam assistir antes mesmo de seus filhos começarem a comer, é muito bom mesmo!

    10 de junho de 2016 at 14:21 Responder

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