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Olhares digitais: como aproveitar melhor o que a internet pode oferecer

Quando vejo o João com 2 anos saber mexer no celular, tablet e outros gadgets com uma desenvoltura de dar inveja eu penso, nossa como ele é inteligente. Mas aí eu lembro, ele nasceu na era dos olhares digitais e vê a todos os instantes, todos ao seu redor, mexendo nos aparelhinhos com os dedinhos, e ele com toda a certeza não seria nada diferente – teria a desenvoltura e inteligência nativa.

E aí vem a pergunta: quem aí já não mordeu a língua e deixou a Peppa Pig, a Galinha Pintadinha ou qualquer outro desenho no celular nestas mãozinhas pequenas e achou, honestamente, a melhor babá eletrônica naquele momento de sufoco no mercado ou ainda restaurante – toca aqui amiga, estamos juntas! Ou colocou no joguinho pois sabia que a única coisa que você queria era comer em paz no seu restaurante preferido e não queria garfo no chão, macarronada na roupa e palpitação? Eu te entendo, COMPLETAMENTE!

E agora com as férias chegando, quais os cuidados que devemos ter com os nossos nativos digitais? A Fabiany Lima, que é fundadora do é fundadora do Timokids, aplicativo multilíngue de educação que ajuda pais e professores, por meio de histórias e jogos, a conversar com as crianças sobre questões importantes que devem enfrentar durante o crescimento, nos deu algumas dicas de segurança.

Como podemos bloquear certos conteúdos nas telas de nossos filhos?
Existem aplicativos de segurança que te permitem criar uma segunda senha para abrir qualquer aplicativo ou função no celular, como galeria de fotos por exemplo, uma boa opção é bloquear o acesso direto à navegadores ou lojas de aplicativos onde a criança possa acessar o conteúdo sem que o pai perceba.

Um aplicativo que faz isso é o AppLock – é só buscar na AppStore do iPhone ou Google.

Você recomenda que a criança tenha um gadget próprio ou que ela use os dos pais?
O fato da criança ter um gadget próprio proporciona liberdade à ela de utilizar quando quer, o importante é a supervisão do que está sendo instalado ou acessado e qual o tempo que os pais consideram ideal para essa atividade. Como crianças usam muitos aplicativos diferentes, pode ser uma boa opção para não sobrecarregar o dos pais.

Você teria alguma recomendação de segurança para os pais utilizarem com as crianças na rede? 
Aplicativos de segurança e monitoramento ou desativar o acesso à internet podem ser alternativas. Mas acompanhar o que o filho vê e faz nas redes e conversas francas sobre o perigo que existe são a melhor forma de garantir a segurança para criança.

Mas calma, a internet, os aplicativos e gadgets são e muito positivos na educação das crianças, e podem e devem ser usados a favor dela, tanto que o João tem aula de informática na escola (sim com 2 anos…). A Faby ainda escreveu o artigo abaixo de como utilizar a internet a favor da educação da criança, já que a internet estará sempre na vida dela.

“Os dedinhos dos chamados “nativos digitais”, termo para aqueles que nasceram e cresceram com a tecnologia em suas vidas, exploram os tablets de forma natural. Observo frequentemente suas expressões nos momentos que mexem em seus gadgets e não encontro nenhum resquício de angústia, espanto ou dúvida em seus rostos.

Olhar esses aparelhos pelos olhos das crianças – os olhos de um indivíduo que enxerga a tela como uma extensão sua – é essencial. A afinidade deles com o mundo digital pode parecer “assustadora” para alguns, mas, no geral, acredito que temos muito a ganhar. Como podemos, então, nos aproximar de nossos filhos e não deixar que essas tecnologias criem barreiras?

O ambiente virtual, se explorado com responsabilidade, pode oferecer uma experiência extremamente rica. Com um toque podemos “visitar” os jardins de Monet e com outro, ver as pirâmides do Egito. Não apenas nessa parte didática, mas na lúdica, pais têm muito a aprender com e sobre seus filhos. Acredito que repelir as ferramentas de forma muito brusca pode gerar conflitos desnecessários. Tudo deve ser usado com parcimônia.

Podemos tornar os gadgets aliados na hora de explicar algo, de contar uma história ou ilustrar uma palavra ou termo que as crianças não compreendam. Aprendi durante anos no mercado de edtech que integrar o virtual nas vivências reais de forma orgânica é trabalhoso, mas recompensador. Temos uma enciclopédia infinita na ponta dos dedos.

Acompanhar juntos algum canal do YouTube, replicar receitas, assistir a um filme, ver a tradução de uma letra, tudo é válido. Conhecer e participar do universo de nossos filhos é extremamente poderoso, ainda mais um mundo tão novo para nós quanto o dos aplicativos. O que eles gostam de escutar? Que tipo de filmes e desenhos preferem? Essas respostas são encontradas facilmente em suas vivências digitais.

O importante é perceber (e aceitar) que a tecnologia vai estar presente durante toda a vida deles, não é moda ou algo passageiro. O mundo nunca voltará a ser analógico. Sugiro, portanto, aproveitar também os momentos online para educar, orientar e conhecer mais os nossos pequenos.

Percebo que a internet é como a alimentação, você não pode usar ela como uma recompensa, e nem fazer dela um escravo e algo que ela não pode ter,  você precisa ensinar e educar sobre. Senão a coisa degringola… Até por que pense você mãe, você pai sem internet no seu dia a dia como seria? Sempre faço essa pergunta. Então respiro fundo e vamos de novo.

E por aí, como vocês lidam com isso?

Beijos, e boas férias!

Com carinho, Verô!

Verônica Muccini

Verônica Muccini é jornalista, mas brinca que tem a alma de Relações Públicas, porém foi na maternidade que descobriu o seu maior desafio. Divide as suas angústias, conquistas e trapalhadas com o pequeno João Henrique aqui no Depois da Chegada.

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