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Quando o papai é um presente, cheio de histórias para se reconhecer e guardar

 

Como no livro do Piangers, O Papai é Pop, em que ele fala que “Todo pai é um colecionador de histórias. Cada história é um presente que nossos filhos nos dão. Guarde bem os seus presentes”. Tenho certeza que o papai do João Henrique, o Henrique é um excelente colecionador de histórias. A gente sabe, e ele mesmo costuma contar aos amigos que a paternidade ativa só começa quando o bebê nasce. O nascimento do João Henrique foi lindo, mas ao mesmo tempo desafiador. Ele nasceu, porém foi para os nossos braços apenas para a fotografia, dali foi direto para o Centro de Tratamento Intensivo – CTI. Quando o JH nasceu eu vi um Henrique completamente diferente do que eu conhecia, conheci ali o papai Henrique, e tenho certeza que ele se reconhecia também.

A fotografia do nascimento, depois, UTI

O Henrique conta para os amigos que a ficha só caiu do nascimento do nosso filho quando a médica disse: “Agora papai, vai lá na administração e interna ele na CTI”. O coração que já havia passado o dia acelerado, acelerou de forma diferente. Acelerou no Henrique pai, que via o filho ao invés de ir pro quarto junto comigo, ficar em uma incubadora por não sei quanto tempo. Quando nasceu o João Henrique nasceu um coração de pai acelerado e completamente apaixonado.

Como eu não podia subir para a CTI por conta de cesárea, o Henrique não saía de lá um minuto sequer, acordava de madrugada para ir vê-lo, me ajudou e apoiou quando tive que ir para o lactário, e quando sai de lá aos prantos contando que fiquei uma hora e meia para sair 10ml de colostro (uma frustação para quem sonha em amamentar e ter aquela livre demanda que a Organização Mundial da Saúde tanto fala).

Conheci um leão, que brigou com quem fosse preciso para que os remédios do nosso filho fossem dados nos horários certos, que chorou comigo quando o nosso filho saiu da CTI e podia ir pro quarto. Acho que foi um dos momentos de mais alívio, teríamos o nosso pequeno junto da gente. Conheci um pai que leu meticulosamente todo o manual de instruções do bebê conforto (e homens são totalmente avessos a manuais de instrução) para instalar no carro e não ter nenhum problema com o nosso maior tesouro.

Conheci um Henrique que acordava as três horas da madrugada comigo para me acompanhar na mamada e que eu entregava o JH para arrotar, e as sete horas da manhã acordava para ir trabalhar.

Sabe quando você ainda solteira, e sonha um dia em ter filhos e pensa, quero um pai atencioso, companheiro, participativo e que ainda me ache linda de pijama acordando de madrugada para amamentar e que se precisar fica sozinho com o nosso filho enquanto eu consigo tomar um banho tranquila? Tenho a sorte de ter esta história para contar, e este presente para guardar. Desde que o JH veio para casa o banho é por conta dele, hoje 1 ano e nove meses, a hora do banho é hora da festa deles, é emocionante de ver. Quando olho os pés bisnagas do meu filho vejo que são iguais aos pés bisnaga do meu marido, e me apaixono mais e mais por estes dois pés, que ao meu lado trilham a nossa história, as nossas conquistas e os nossos presentes, como diz o Piangers.

Me apaixono e reconheço até os resmungos dos meus dois Henriques e agradeço ao papai do céu todos os dias por ser assim, com eles e mais ninguém.

Vamos colecionar histórias e presentes?

Com carinho! Beijos.

Vê!

Verônica Muccini

Verônica Muccini é jornalista, mas brinca que tem a alma de Relações Públicas, porém foi na maternidade que descobriu o seu maior desafio. Divide as suas angústias, conquistas e trapalhadas com o pequeno João Henrique aqui no Depois da Chegada.

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