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Será que toda criança é egoísta? Não é bem assim

Estou passando uma fase linda e cheia de descobertas, mas em compensação TUDO “é meu”. Quase dois anos de idade, quase adolescente! rs…! (as vezes até acho isso engraçado, tenho que confessar pensando friamente que – uma criança, um bebê de dois anos ter uma fase meio adolescente – mas sim eu sei que existe). Aí também é assim, gente? E aí falam: “egoísta, né?”. Internamente penso: NÃO! Aiiii tempos atrás tinha lido vários textos sobre o assunto até que a Marrie Ometto, do Mamãe Plugada escreve este abaixo que me chamou muito a atenção, e caiu como uma luva. Aqui eu vou colocar algumas partes que acho que para mim são essenciais, falando nisso o blog dela é lindo, cheio de histórias e reflexões e vale a pena conhecer!

Vamos ter a empatia para enxergar através dos olhos das crianças e educa-las sim, mas de uma forma mais amorosa e menos imposta? Crianças até mais ou menos os 4 anos de idade não tem noção do que é emprestar. Pelo menos não no sentido que enxergamos, agora adultos, da palavra. Quando chegamos a um parquinho e seu filho está lá, agarrado ao amado carrinho, feliz e brincando com ele e chegam as crianças, querendo aquele mesmo carrinho que ele está brincando, é o mesmo que alguém dizer a você: “Dá a chave do seu carro para seu amigo dar uma volta”, naquele momento em que você precisa urgentemente dele para não chegar atrasado no trabalho.

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João e Arthur brincando, do jeitinho deles. O nosso papel? Fazer as interlocuções entre os dois. Eles se entendem!

Esse é um ensinamento que não saiu da minha cabeça. É do Dr. Carlos Gonzales.

(…)

O fato é que toda mãe vive vendo o filho pequeno não querendo emprestar quase que diariamente. (…) Mas todos os dias vemos crianças tentando arrancar brinquedos de outras, um “é meu” para cá, outro “é minha vez” ou “eu quelo” para lá e mães, cada uma defendendo a cria oposta: “Filho, empresta a bola para o amigo”. “Chiquinho, espera o Joãozinho emprestar, toma, pega seu brinquedo”.

O fato, pelo qual escrevo este post é: Serão mesmo eles egoístas, seremos nós adultos mais generosos que as crianças ou simplesmente os brinquedos delas não nos interessam?

Vamos olhar pela ótica do adulto. Você está no parque e seu filho pequeno pega seu celular para assistir Peppa Pig. Você olha para ele, diz que estão lá para brincar e o encoraja a ir ao escorregador. Quando estão conversando sobre ir ao escorregador, chega uma amiga que esta sempre no parque, eles se abraçam, e seu filho dá o celular para ela, que sai correndo com o objeto, toda feliz. Que lindo, seu filho emprestou!! Mas e você? Quanto tempo você deixa seu Iphone de ultima geração nas mãos da outra criança? Aposto que não dará 1 minuto e já estará lá, tentando recuperá-lo, rsrs!

Uma citação do Dr Carlos Gonzáles é maravilhosa:

“É necessário colocar as coisas em perspectiva. Imagine que é você quem está sentada num banco do parque a ouvir música. Ao seu lado, sobre o banco, está a mala sobre um jornal dobrado. Nisto aproxima-se um desconhecido, senta-se ao seu lado e, sem dizer palavra, começa a ler o seu jornal. Pouco depois deixa o jornal (aberto e atirado para o chão!), agarra na mala, abre-a, olha para o seu interior… Será que você  saberia partilhar? Quanto tempo esperaria para dizer duas verdades ao desconhecido ou para agarrar na mala e sair a correr? Se visse passar um policial ao longe, não o chamaria? Imagine agora que o polícia se aproxima e lhe diz:

– “Vá lá, dê a sua mala a este cavalheiro ou aborreço-me. O senhor desculpe, mas esta senhora não sabe partilhar… Gosta do telefone? Telefone, telefone para onde quiser… A senhora cale-se, se continua a protestar, vai ver…”
A nossa disposição para compartilhar depende de três fatores: o que emprestamos, a quem e durante quanto tempo.
(…)
Claro que, do ponto de vista de um adulto, qualquer criança de dois anos, indefesa e inocente, é um “amiguinho”. Mas quando se mede menos de um metro, um menino de dois anos é um desconhecido e pode mesmo ser “um indivíduo com intenções suspeitas”.

Portanto, sigo sem regras prontas, sem ditos e sem manual. Sigo meus instintos. Conheço minha filha e sei quando ela não precisa daquele objeto. Várias vezes, depois de ela ter perdido o interesse no brinquedo, que muitas vezes é um objeto de apego, eu disse: “Agora vamos brincar juntos?”, ou “Agora um de cada vez” e ela super topou. De boa. Por que a necessidade dela por aquilo havia passado, não por que estivesse “menos egoísta”.

Meu papel é mostrar a ela, diariamente, o quanto o valor das coisas não materiais são importantes e, estar ao lado de amigos é muito mais importante do que possuir algo material que pode ser substituído ou reposto. Que amigos não são substituíveis, como os objetos. E que brincar junto é uma delicia.

Gosto muito das citações e dos pensamentos que a Marrie usou no post dela, para ver ele na íntegra você consegue acessando aqui. Mas o que me alivia é pensar que eu não sou a única a não obrigar o João Henrique a não dividir os brinquedos dele, e que ensinar ele a ponderar essa divisão é o mais legal. Eu estou ensinando ele a lidar com as emoções dele.

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O meu filho tem um amigo que eles mesmo se nominam melhores amigos, um mais velho que o outro e eles se “ensinam”. O Bento, que tem 4 e o João quase 2, o Bento, ensina o amigo João a dividir os brinquedos dele, e o João que é menor as vezes não aprende e está tudo bem, mas os dois estão aprendendo, e ensinando, acho lindo o Bento entender que o amigo é pequeno e ele está aprendendo a dividir e ele ainda não consegue fazer isso as vezes, mas está tudo bem. E é isto que vou ensinar para o João, o ensinarei a dividir sim, mas no seu tempo. Se chegar até os 4 anos e não tiver aprendido nada, aí o discurso irá mudar, mas acredito que não.

Beijos, com carinho!

Vê!

Verônica Muccini

Verônica Muccini é jornalista, mas brinca que tem a alma de Relações Públicas, porém foi na maternidade que descobriu o seu maior desafio. Divide as suas angústias, conquistas e trapalhadas com o pequeno João Henrique aqui no Depois da Chegada.

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