to top

Meu relato: sobre a amamentação

Não posso dizer que esse é um post tranquilo, uma conversa fácil. Passamos a pouco da SMAM – Semana Mundial de Amamentação, e estamos no mês de agosto – o mês da amamentação – e eu sempre sonhei em amamentar o meu filho. Se consegui? Por um tempo. Um tempo bem menor do que eu queria, não talvez do jeito que eu queria. Não tive a tão sonhada: amamentação exclusiva. Acredito que este seja um dos nossos “problemas” sonhamos e nos depositamos uma carga de energia que PRECISA SER DE TAL JEITO e se não conseguirmos, nos frustramos.

Não posso dizer que fui frustada na minha amamentação. Mas posso dizer com toda a certeza que não foi do jeito que eu queria. Desde o início tudo foi diferente pois o pequeno foi para a CTI ao invés de fazer a primeira pega ali, no bloco. Uma das minhas situações mais constrangedoras e humilhantes para MIM, era ter que ir ao lactário e me frustrar pois o meu leite não descia. Me lembro que fiquei uma hora e meia e nada, saiu 10ml. Quando JH na CTI, ainda, foi liberado para mamar o colostro começou a descer. A primeira pega foi perfeita, a boca dele estava direitinho, auréola posicionada, tudo direitinho. Foi aí que descobri a força da pega de um recém-nascido. E com isso, as fissuras, Jesus do céu! Como dói!
Cada mamada era um sacrifício, os primeiros cinco minutos eram de lágrimas de dor. Mas eu sabia que estava dando o melhor para o meu filho, era o melhor remédio, o melhor aconchego, o melhor de mim. E era aquilo que meu filho estava precisando para sair do hospital. Consegui amamentar exclusivamente até quase um mês e meio. Foi quando em uma madrugada eu não sabia mais o que fazer para acalmar o JH, e de tanto chorar ele dormiu. No outro dia falei com a pediatra e juntas chegamos à conclusão que ele estava com fome.
Aquilo me abalou mais que eu imaginava, hoje consigo entender, não queria nunca mais ver meu filho chorar de fome e eu não ter leite suficiente para dar à ele. E dia após dia, apesar de toda a informação (eu não procurei ajuda de um profissional), eu fui apenas fazendo meu peito virar depósito e não fábrica. Ia espaçando as mamadas dele, na ânsia de o meu peito ficar mais cheio e nisso ia dando o complemento. O que meu organismo entendeu? Não preciso mais produzir. O que eu fiz? Fui conversar com a pediatra e comecei a tomar um medicamento para aumentar a produção (não direi o nome dele por responsabilidade social). Aí sim virou uma bola de neve.
Meu organismo só produzia leite por conta do remédio, e eu angustiada querendo que o João mamasse no peito, com orientação médica, aumentei a dose do remédio. Resultado? Engordei 10kg em 4 meses! Um dos efeitos do remédio é abrir o apetite. E para mim que tenho redução de estômago foi como acordar um leão que estava hibernando há oito anos. O que aconteceu comigo? Eu estava frustada com o meu peso, frustada por não conseguir amamentar como queria e ainda tinha tido uma das piores consequências do remédio: alucinações. Uma amiga psicóloga havia me alertado que se eu tivesse pensamentos que não fossem meus, parasse o medicamento na hora. Pois havia acontecido com ela. Parei na hora. E com isso, meu leite secou. João tinha seis meses.
Por isso não se culpe se não conseguiu amamentar. Se eu tiver um próximo baby com toda a certeza a coisa será diferente. Eu me culpava por não conseguir amamentar? Sim! Mas em compensação eu pensava que máximo que meu marido também pode dar a mamadeira e dividir isso comigo. O vovô, a vovó, os dindos. E estava tudo bem. A culpa ia até a página dois. A página que eu via que meu filho estava ótimo. Já estava com a introdução alimentar organizada, e principalmente crescendo saudável e seguro.
E como foi por aí?
Beijos, com carinho!
Verônica

Verônica Muccini

Verônica Muccini é jornalista, mas brinca que tem a alma de Relações Públicas, porém foi na maternidade que descobriu o seu maior desafio. Divide as suas angústias, conquistas e trapalhadas com o pequeno João Henrique aqui no Depois da Chegada.

Deixe o seu comentário...